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"a vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação - porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada."
Guimarães Rosa

08/03/2010 - 14:31:15hs

Cérebro humano tem aversão à desigualdade social

O cérebro humano acredita fortemente na igualdade entre as pessoas.

Uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e do Trinity College, em Dublin, na Irlanda, agora reuniu imagens que comprovam isso.

Rico, mas humano

A equipe descobriu que os centros de recompensa do cérebro de uma pessoa respondem mais fortemente quando ela vê alguém que é pobre receber uma recompensa financeira do que quando ela vê uma pessoa rica ficar ainda mais rica.

E o que é mais surpreendente: Este padrão de atividade é válido mesmo se este cérebro que observa os dois episódios estiver equipando a cabeça de uma pessoa rica. Ou seja, mesmo um rico fica mais feliz em ver um pobre recebendo alguma coisa, do que ao ver um colega rico ganhando ainda mais dinheiro.

E vai além: uma pessoa rica fica mais feliz ao ver um pobre recebendo dinheiro do que quando ela própria recebe dinheiro.

As conclusões do estudo foram publicadas no último exemplar da revista Nature.

Natureza humana

"Esta é a última imagem em nossa galeria da natureza humana", diz o Dr. Colin Camerer, coautor da pesquisa.

Há muito se sabe que nós, humanos, não gostamos da desigualdade, especialmente quando se trata de dinheiro. Diga a duas pessoas que trabalham no mesmo emprego que os seus salários serão diferentes e você vai ter problemas, observa John ODoherty, outro participante do grupo.

Mas o que não se sabia era quão biologicamente programados nós somos para isso. "Neste estudo, estamos começando a ter uma ideia de onde vem essa aversão à desigualdade," diz ODoherty. "Não é apenas a aplicação de uma regra social ou convenção; há realmente alguma coisa sobre o processamento básico de recompensas do cérebro, que reflete essas considerações".

Centros de recompensa do cérebro

O cérebro processa as "recompensas" - coisas como comida, dinheiro, e até mesmo uma música agradável - gerando respostas positivas no corpo. Isto pode ser visto em áreas como o córtex pré-frontal ventromedial (CVM) e o estriado ventral.

Em uma série de experimentos, os pesquisadores observaram como o CVM e o estriado ventral reagiam em 40 voluntários que assistiam a uma série de eventos de ganhos e de transferências de dinheiro - tudo enquanto eles ficavam deitados dentro de uma máquina de ressonância magnética.

A forma de reação dos voluntários aos diversos cenários, mais precisamente dos centros de recompensa dos seus cérebros, mostrou uma forte dependência da situação inicial - se eles começaram o experimento com uma vantagem financeira sobre os seus pares.

"As pessoas que começaram pobres tiveram uma reação mais forte do cérebro para coisas que lhes davam dinheiro, e essencialmente nenhuma reação ao dinheiro que era dado para outra pessoa", diz Camerer. "Por si só, isso não foi muito surpreendente."

Preferência pela igualdade

O que foi surpreendente foi o outro lado da moeda. "No experimento, as pessoas que começaram ricas tiveram uma reação mais forte para as outras pessoas recebendo dinheiro do que quando elas próprias recebiam dinheiro," explica Camerer. "Em outras palavras, seus cérebros gostaram mais quando os outros recebiam dinheiro do que quando elas próprias recebiam dinheiro."

"Nós agora sabemos que essas áreas do cérebro não se atêm apenas ao auto-interesse", acrescenta ODoherty. "Elas não respondem exclusivamente às recompensas que se obtém como indivíduo, mas também respondem à perspectiva de outros indivíduos obtendo um ganho."

O que foi especialmente interessante sobre a descoberta, diz ele, é que o cérebro responde "de forma muito diferente a recompensas obtidas por outros sob condições de desigualdades desvantajosas versus desigualdades vantajosas. Ele mostra que as estruturas básicas de recompensa no cérebro humano é sensível mesmo a diferenças sutis no contexto social."

Fonte: Redação do Diário da Saúde

MD

03/03/2010

 
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