Crianças e adolescentes surdos com implante coclear -um estimulador elétrico que faz o papel do ouvido, ou seja, capta o som e o transforma em pulsos elétricos- têm qualidade de vida similar à de crianças e jovens ouvintes sem o implante.
É o que aponta um estudo americano publicado no periódico "Otolaryngology -Head and Neck Surgery".
Ainda segundo a pesquisa, quanto mais cedo a criança fizer o implante, conhecido como ouvido biônico, melhor será sua adaptação social e seu desempenho na escola. No Brasil, a cirurgia é feita pelo SUS em centros especializados.
O implante é indicado para crianças surdas com ao menos um ano de idade e adultos com surdez bilateral severa que não tiveram benefÃcios com o uso de aparelhos auditivos. É necessária uma complexa adaptação para que a pessoa consiga interpretar os sons recebidos.
No estudo, foram avaliadas crianças de 88 famÃlias, com idades de oito a 16 anos. Elas e seus pais tinham que responder a um questionário sobre a saúde fÃsica, mental e emocional, relacionamento social e desempenho escolar.
As respostas foram similares às de crianças e adolescentes ouvintes, sem implante.
Para Domingos Lamônica Neto, otorrinolaringologista da equipe de implante coclear da USP de Bauru, a criança já tem um ganho na qualidade de vida a partir do momento em que recebe o implante. "Desde o momento em que ela ouve pela primeira vez, já é possÃvel sentir uma mudança positiva na parte emocional, familiar e educacional", diz.
Segundo a psicóloga Midori Otake Yamada, da equipe de implante coclear do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (Universidade de São Paulo) de Bauru, o envolvimento da famÃlia é fundamental para estimular o desenvolvimento da linguagem e a interação social das crianças e dos adolescentes.
"Comunicação é interação. Se a mãe não aceita a surdez da criança, não brinca ou não conversa com ela, esse processo falha", afirma.
Yamada diz também que a qualidade de vida dessas crianças está ligada ao trabalho de uma equipe especializada, com otologista, fonoaudiólogo, assistente social e psicólogo.
Para os adolescentes, especialmente as meninas, a adaptação ao aparelho é mais difÃcil. "Alguns têm vergonha da unidade externa."
A fonoaudióloga Silvia Badur Curi, que acompanha pacientes implantados no Hospital das ClÃnicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), lembra ainda que a qualidade de vida depende da idade em que é feita a cirurgia.
Quanto mais tarde o implante for feito, mais trabalho envolvendo a terapia será necessário para o desenvolvimento da linguagem. "É uma corrida contra o tempo, mas, mesmo com "atraso", a pessoa pode adquirir uma boa evolução", diz.